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sábado, 10 de setembro de 2016

COMPARATIVO - FORD FIESTA 1.0 ECOBOOST x HYUNDAI HB20 1.0 TURBO x PEUGEOT 208 1.2


TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | FOTOS: DIVULGAÇÃO
DADOS DE TESTE: REVISTAS QUATRO RODAS E CARRO (NÍVEL DE RUÍDO)


Os motores de três cilindros chegaram aos compactos premium. Tudo bem que o Hyundai HB20 não é tão premium assim e já usa-o desde que foi lançado em 2012. Mas, agora, o propulsor do modelo sul-coreano fabricado em Piracicaba ganhou um turbocompressor, aumentando a potência de 75/80 para 98 e 105 cavalos.

O HB20 1.0 Turbo vai enfrentar neste comparativo dois modelos realmente premium, com os seus novos propulsores: o Fiesta e o 208. A Ford, enfim, trouxe para o Brasil o badalado 1.0 Ecoboost, com turbo e injeção direta, que aumentou a potência para 125 cavalos e lá na Europa também equipa o Focus. Infelizmente, ainda não é flex. Já o Peugeot, entretanto, não tem motor 1.0 e nem turbo, mas sim o 1.2 Pure Tech, também tricilíndrico e igualmente famoso no velho continente. Só que ele é flex. A Citroën, que faz parte do mesmo grupo, também colocou este motor no seu C3, que ficou de fora deste comparativo por já estar desatualizado na Europa. 

A marca francesa priorizou o consumo, anunciando-o como o melhor do país. A Hyundai o consumo e a agilidade no trânsito, sem fazer associação esportiva. E a Ford a eficiência energética, mas levou muito a sério (até demais) o conceito de premium. Colocou o Ecoboost como topo de linha, oferecendo-o exclusivamente na versão Titanium Plus, a mais completa, por exorbitantes R$ 72 mil. Consegue ser mais caro que o similar com motor 1.6, que custa R$ 70.690. Uma estratégia que pode comprometer a viabilidade deste excelente motor e facilitar a vida dos concorrentes no mercado. 


Motor e Câmbio



Com turbo e injeção direta, mas sem a tecnologia bicombustível, o tão aguardado Ecoboost 1.0 do Fiesta rende 125 cavalos, exatamente a mesma do 1.6 Sigma com gasolina. Ele substitui o Sigma 1.5, mas poderia ter equipado as versões mais simples, né?

Por ter sido considerado top, o Fiesta 1.0 turbo é o único com câmbio automático de série, no caso o automatizado Powershift, com seis marchas e dupla embreagem.


A segunda maior potência é do HB20, que também equipa o sedã. O 1.0 Turbo do Hyundai não tem injeção direta e, portanto, rende no máximo 105 cavalos com álcool. Seu câmbio é manual de seis velocidades.

Apesar da maior cilindrada, o 1.2 do 208 é desprovido de turbo e injeção direta e, assim, tem a menor potência: são apenas 84 cavalos e 90 cv com álcool. O câmbio de apenas cinco marchas completa o conjunto mecânico inferior. O novo motor, assim como no Ford, substituiu o 1.5, mas na Peugeot, pelo menos, o posicionamento foi mais correto e equipa as versões mais simples.



Desempenho e Consumo

O Fiesta aproveitou a vantagem da maior potência e do câmbio automático e obteve o melhor desempenho, segundo a revista Quatro Rodas. Acelera de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos e retoma a velocidade entre 80 e 120 km/h em 6,5 segundos. Em segundo aparece o HB20, com 11,5 segundos e 11,8 seg. respectivamente. Para trás ficou o 208, com 14,8 segundos e 22,4 segundos.

A baixa potência e o fraco desempenho provam que o consumo foi mesmo prioridade para a Peugeot. E ainda pela Quatro Rodas o objetivo foi alcançado. O 208 fez 12,5 km/litro na cidade e 17,2 km/l na estrada. Um total de 29,7 km/l. Em segundo ficou o eficiente Ecoboost do Fiesta, com os mesmos 12,5 km/l na cidade, mas 16,1 km/l na estrada (28,6 km/l na soma). Já o Hyundai é quem ficou com a fama de gastão entre os três, com 10 km/l e 13,4 km/l (23,4 km/l).

Frenagem (Segurança) e Ruído (Conforto)



O Fiesta sobrou na segurança. E não foi na lista de equipamentos como controles de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa e os sete airbags. Foi na frenagem mesmo, que aqui no Guscar classifica o item. Parou em 27,8 metros a 80 km/h no teste da Quatro Rodas. Quase três metros depois imobilizou-se o HB20, com 30,4 metros. O 208 patinou até os 31,3 metros.


Já o conforto é avaliado pelo nível de ruído, que desta vez vem da revista Carro. Houve um empate técnico entre o Fiesta e o 208, na faixa dos 62 decibéis a 80 km/h, sendo o Peugeot dois décimos mais silencioso (61,8 dBA). O nível de ruído do HB20 é do sedã, o HB20S, que é praticamente o mesmo carro, podendo haver uma ligeira diferença. Infelizmente, é o mais alto: 62,4 decibéis.


208 2013

Espaço interno e Porta-malas

A minha avaliação do espaço interno não foi baseada na distância entre-eixos. Mas combinou direitinho com a tal medida. O 208 é o mais folgado para as pernas do passageiro de trás e tem 2,54m. Em segundo vem o HB20, com 2,50m e o mais apertado é o Fiesta, com 2,49m.

Já a maior capacidade do porta-malas é do Hyundai, com 300 litros, seguida pelos 285 litros do 208. O Fiesta tem 281 litros, mas a diferença para o Peugeot é tão pequena que eu considerei empate técnico.



Estilo e Acabamento



Dentro deste comparativo, dos três hatches premium que ganharam novos motores só o Peugeot 208 recebeu alterações estéticas, mas foram quase imperceptíveis, se limitando aos elementos internos dos faróis, alargamento da grade e reorganização das entradas de ar do para-choque dianteiro. HB20 e Fiesta mantiveram a aparência que ostentam desde o ano passado e 2013, respectivamente.


Mas o Ford ganha o ponto no estilo por ter as linhas mais ousadas dos três, mesmo sendo o mais antigo. Seu estilo é tão futurista que, segundo as projeções mostradas em revistas, será aproveitado na nova geração a ser lançada no ano que vem. Mudarão apenas as lanternas, que passarão a ser horizontais. Em segundo lugar vem o estilo do 208 e depois o do HB20, que, após quatro anos, já demonstra sinal de cansaço. No acabamento interno ninguém se destacou no mar de plástico duro reinante.




Equipamentos, Preço e Assistência

Considerar o motor 1.0 turbo como top de linha pode trazer uma vantagem: a de ter mais equipamentos e câmbio automático. Oferece de série ar condicionado digital, trio elétrico, piloto automático, chave com sensor de presença e partida por botão, sensores de chuva, faróis e estacionamento traseiro, bancos em couro, sete airbags, controles eletrônicos de estabilidade e tração e assistente de partida em rampa.

Mas tal estratégia pode ter sido um tiro no próprio pé da Ford. Além de ser o mais caro (R$ 71.990) o Fiesta Titanium Plus Ecoboost ainda traz um sistema de mídia (que nem merece ser chamado de multi) arcaico, com tela monocromática de apenas 3,5 polegadas, que se limita à integração com o som. Nem teto solar ele tem.

Este último item, que ainda é panorâmico, e mais o verdadeiro sistema multimídia com tela colorida sensível ao toque e espelhamento estão presentes no Peugeot 208, que também tem ar condicionado digital de duas zonas (no Fiesta é só de uma), luzes diurnas e lanternas de LED, alarme, volante multifuncional e com regulagens de altura e profundidade, direção elétrica, vidros elétricos nas quatro portas e travas e retrovisores elétricos, airbags laterais, sensor de ré e piloto automático. Isso tudo na versão Allure, que é a terceira mais barata da linha 208, custando R$ 57.090 (já aumentou, pois na pré-produção do comparativo custava R$ 56.590). Depois desta ainda tem a Allure 1.6, a Sport, a Griffe, estas duas também com motor 1.6 16v e a GT 1.6 THP.

O HB20 1.0 Turbo tem duas versões: Comfort Plus e Comfort Style. A primeira custa R$ 48.855 e não abre mão de tantos equipamentos da Style, que é vendida por R$ 53.005 e tem a mais rodas de liga-leve e lanternas transparentes, chamadas Clear Type. Ambas trazem ar condicionado manual, direção hidráulica, trio elétrico, computador de bordo, gancho ISOFIX e rádio com Bluetooth e MP3. O HB20 é o mais barato, mas tem equipamentos bem triviais.

Na assistência, quem tem mais concessionárias é a Ford, com quase 400 (399 para ser exato). Com menos tempo de atuação no Brasil, a Hyundai já tem mais pontos de revenda que a Peugeot: 298 contra 108. É a crise.


Conclusão

Apesar do face-lift do ano passado e do novo motor 1.0 Turbo, o Hyundai HB20 já demonstra sinais de cansaço no seu estilo de 2012. O nível de ruído e o consumo, na contramão do Peugeot, também são os mais elevados. Mesmo com a maior quantidade de segundos lugares (motor, câmbio, desempenho, frenagem, assistência e espaço interno), o HB20 empatou em pontos com o 208, mas perdeu no desempate porque venceu menos itens. Três contra quatro. Ou dois contra três, pois no acabamento todos marcaram três pontos. O HB20 tem o maior porta-malas e o menor preço, mas o custo-benefício se perde pelos equipamentos mais triviais.

Ao optar por uma cilindrada maior e abrir mão do turbo, a Peugeot acabou deixando o seu 208 Pure Tech 1.2 mais frágil. Com potência mais fraca e câmbio de cinco marchas acabou ficando com o pior desempenho. A frenagem também não foi eficiente. O consumo (considerado pela marca o mais econômico do país), o conforto (dividido com o Fiesta) e o espaço interno ajudaram o 208 a garantir o segundo lugar no comparativo no desempate contra o HB20. 

O Fiesta sobrou no comparativo. Além da maior potência (125 cv) do tão aguardado Ecoboost 1.0 Turbo e do câmbio automatizado Powershift de seis marchas, o hatch da Ford tem o melhor desempenho, a melhor frenagem, um dos ruídos mais baixos (junto com o 208), a maior rede de concessionárias, a lista de equipamentos mais completa (apesar do sistema de mídia arcaico) e ainda tem um desenho moderno. O consumo não se opôs ao desempenho, mas também não é o melhor. 

O espaço interno apertado só não é pior que a mancada da Ford ter colocado o Ecoboost como topo de linha, fazendo dele o 1.0 mais caro do país. Por isso, o Fiesta não merece o adjetivo de o grande vencedor do comparativo.
 


1º Ford Fiesta Titanium 1.0 Ecoboost 


FICHA TÉCNICA

Motor: Três cilindros, transversal, turbo, injeção direta, 999 cm³, 12v
Potência: 125 cavalos
Torque: 17,3 kgfm de 1.400 a 4.000 rpm
Câmbio: automatizado de seis marchas e dupla embreagem
Aceleração de 0 a 100 km/h: 9.5 segundos (revista Quatro Rodas)
Retomada de 80 a 120 km/h: 6,5 segundos (Quatro Rodas)
Velocidade máxima: não divulgada
Consumo: 12,5 km/l na cidade e 16,1 km/l na estrada (Quatro Rodas)
Frenagem a 80 km/h: 27,8 metros (Quatro Rodas)
Nível de ruído a 80 km/h: 62 decibéis (revista Carro)
Comprimento/largura/altura/entre-eixos: 3,97/1,72/1,46/2,49m
Porta-malas: 281 litros
Tanque: 52 litros
Preço: R$ 71.990
Cores: Branco Ártico e Vermelho Arizona (cores sem custo) / Azul Califórnia, Prata Dublin, Preto Bristol e Vermelho Vermont (R$ 1.300)


2º Peugeot 208 Allure 1.2 Pure Tech

FICHA TÉCNICA 

Motor: Três cilindros, transversal, flex, 1.199 cm³, 12v
Potência: 84 cv (gasolina) e 90 cv (álcool)
Torque: 12,2 kgfm e 13 kgfm (álc) a 2.750 rpm
Câmbio: manual de cinco marchas
Aceleração de 0 a 100 km/h: 14,8 segundos (revista Quatro Rodas, com gasolina)
Velocidade máxima: 171 km/h (fabricante)
Consumo: 12,5 km/l na cidade e 17,2 km/l na estrada (Quatro Rodas, com gasolina)
Frenagem a 80 km/h: 31,3 metros (Quatro Rodas)
Nível de Ruído a 80 km/h: 61,8 decibéis (revista Carro)
Comprimento/largura/altura/entre-eixos: 3,98/1,70/1,47/2,54m
Porta-malas: 300 litros
Tanque: 50 litros
Preço: R$ 57.090
Cores: Vermelho Aden (sem custo) / Branco Banquise (R$ 690) / Azul Bourrasque, Cinza Aluminum, Preto Perla Nera e Marrom Dark Carmin (R$ 1.290) / Branco Nacré (R$ 1.690)



3º Hyundai HB20 Comfort Style 1.0 Turbo

FICHA TÉCNICA 

Motor: Três cilindros, transversal, turbo, flex, 998 cm³, 12v
Potência: 98 cv (gasolina) e 105 cv (álcool)
Torque: 13,8 kgfm e 15 kgfm (álc) a 1.500 rpm
Câmbio: manual de seis marchas
Aceleração de 0 a 100 km/h: 11,5 segundos (revista Quatro Rodas, com gasolina)
Velocidade máxima: 189 km/h (fabricante)
Consumo: 11,5 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada (Quatro Rodas, com gasolina)
Frenagem a 80 km/h: 30,4 metros (Quatro Rodas)
Nível de Ruído a 80 km/h: 62,4 decibéis (revista Carro, do sedã HB20S)
Comprimento/largura/altura/entre-eixos: 3,92/1,68/1,47/2,50m
Porta-malas: 285 litros
Tanque: 55 litros
Preço: R$ 53.005
Cores: Branco Polar e Preto Onix (cores sem custo) / Prata Sand (R$ 500) / Azul Sky, Bronze Terra, Cinza Titanium e Prata Metal (R$ 1.100)



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